O desafio das bibliotecas

Biblioteca Parque Villa Lobos, em São Paulo

Você já se perguntou o que as pessoas pensam quando ouvem a palavra “biblioteca”? A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024 revelou que apenas 18% dos entrevistados veem as bibliotecas como um lugar para pegar livros emprestados. Para a maioria (59%), elas são mais associadas a espaços de estudo e pesquisa. Além disso, 39% dos que não frequentam bibliotecas disseram que nada os convenceria a entrar em uma.

Dada a importância da leitura para a saúde e o desenvolvimento mental, o cenário das bibliotecas precisa de mudanças. A solução pode estar em algo aparentemente simples, mas essencial: uma boa gestão. Gestores são fundamentais para transformar esses espaços em centros dinâmicos e atrativos.

Importância da gestão

Álamo Chaves, bibliotecário-documentalista da Universidade Federal de Minas Gerais, destaca: “Muitas bibliotecas públicas e escolares no Brasil não contam com bibliotecários capacitados. Isso compromete o planejamento e a execução de estratégias que poderiam atrair o público e tornar esses espaços mais vivos”. Sem bibliotecários, é como organizar uma festa sem um anfitrião: até pode acontecer, mas a experiência não é a mesma.

A presença de profissionais qualificados garante que a biblioteca ofereça mais do que prateleiras cheias. Gestores podem planejar atividades que realmente conectem as pessoas ao espaço, desde contação de histórias para crianças até lançamentos de livros, encontros com autores, mediação de leitura ou oficinas criativas.

Espaços vivos

As bibliotecas têm um potencial incrível para serem muito mais do que lugares silenciosos repletos de livros. Elas podem e devem ser espaços vivos e dinâmicos, onde as pessoas queiram estar.

Biblioteca Monteiro Lobato, na Vila Buarque, em São Paulo (Foto: Sylvia Masini / Estadão)

Bel Santos Mayer, vencedora do Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura, exemplifica essa transformação: uma gestão eficaz pode implementar iniciativas simples, mas impactantes, como clubes de leitura, rodas de conversa sobre temas relevantes ou oficinas de tecnologia básica. O importante é que as atividades sejam adaptadas às necessidades de cada local, reconhecendo que cada comunidade tem suas próprias características e demandas.

Infraestrutura

De nada adianta ter boas ideias sem uma infraestrutura decente. Um espaço acolhedor, acessível e funcional é o ponto de partida para qualquer transformação. Além disso, é preciso investir na formação contínua dos profissionais que atuam nas bibliotecas. Como Álamo Chaves pontua: “A gestão precisa olhar para o futuro, mas sem perder de vista a realidade do presente”.

No fim das contas, a revitalização das bibliotecas passa por ações simples, mas bem planejadas. Não é sobre criar algo mirabolante, e sim sobre entender o papel estratégico desses espaços e fazer deles locais que realmente importem para a sociedade.

É urgente que as bibliotecas voltem a ser percebidas como essenciais. E isso está muito mais nas mãos dos gestores do que parece. Afinal, reinventar a roda pode não ser necessário, mas dirigir o carro com eficiência é indispensável.

1 comentário em “<strong><strong>O desafio das bibliotecas</strong></strong>”

  1. Sempre gostei muito de ler, na minha cidade era um evento ir à biblioteca, sempre das 19 às 21 horas.
    Grande parte dos colegas da escola iam também.
    Tinha um cartão onde se anotava o nome do livro e o prazo para devolução.
    Eu sempre entregava o livro antes do prazo e já pegava outro.
    Esse artigo maravilhoso me fez recordar uma adolescência maravilhosa rodeada de livros e sonhos.
    Obrigada Ana Osta por esta lembrança que me aqueceu o coração.

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