
Se você, assim como eu, gosta de thriller psicológico bem escrito, recomendo a leitura de “Os Fantasmas da Baía Looking Glass”!
É o segundo livro da escritora norte-americana, Catriona Ward, publicado no Brasil. O primeiro, provavelmente você já leu: “A última casa da rua Needless”.
No segundo livro, tudo começa no verão de 1989, quando o pai de Wilder Harlow recebe como herança de um tio recém-falecido uma cabana situada na Baía do Assobio, no Maine. E a família, residente na cidade de Nova Iorque, decide passar lá aquelas férias de verão antes de vender a propriedade.
Wilder, filho único, é um adolescente de 16 anos na época e, desde pequeno, sonha em se tornar escritor. Por isso, ele está sempre imaginando situações que poderiam se tornar temas de seus livros.
Assim que a família chega à cabana, situada na cidade de Castine, somos apresentados a dois outros personagens que dividirão a trama com o protagonista: Harper, uma jovem britânica cuja família mantém uma bela casa na região, e Nathaniel Pelletier, filho de um pescador local.
O ritmo da leitura flui rapidamente, sobretudo nesta parte inicial do livro, e, por meio da amizade dos três adolescentes, o leitor conhecerá histórias de mistérios que assombram a cidadezinha costeira. Tais como a lenda da caverna do divino, onde Rebecca mora debaixo das águas, e as notícias do último verão sobre o Homem da Adaga, que entra de noite nas casas para fotografar crianças dormindo e coloca uma faca em seu pescoço, espalhando depois essas fotos pela cidade. Tudo isso ganhará novos contornos no livro de memórias que Wild decide escrever, 32 anos depois.
Vale destacar que essa é uma leitura que precisa ser feita com muita atenção, porque o que lemos nem sempre é o que acreditamos ser. Portanto, todos e quaisquer detalhes podem ser muito importantes para a compreensão da trama.

Tive a oportunidade de visitar o estado do Maine, passando pela cidade de Kennebunkport, localizada mais ao Sul, durante uma viagem para avistar baleias. E posso dizer que o cenário costeiro do estado é realmente propício a histórias sombrias e cheias de suspense. O litoral do Maine é recortado por falésias, enseadas isoladas e florestas densas que quase tocam o mar. A neblina frequente, o vento constante e a atmosfera fria e úmida criam um ambiente naturalmente misterioso, perfeito para um thriller psicológico como este.
A natureza quase selvagem e o clima de isolamento reforçam a sensação de que, a qualquer momento, algo inesperado pode acontecer, tal como nas páginas de “Os Fantasmas da Baía Looking Glass”.